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O Peso das Finanças no Bem-Estar Emocional dos Portugueses
A ansiedade financeira tornou-se uma preocupação crescente entre os portugueses. Com o custo de vida em ascensão, salários que não acompanham a inflação e incertezas económicas, muitas pessoas entram num ciclo de preocupação constante em relação às finanças.
Este fenómeno afeta pessoas de todas as idades, mas é especialmente intenso entre os jovens e estudantes universitários. Este sentimento pode-se manifestar de várias formas, principalmente através da insónia, do medo constante de não conseguir pagar as contas ou de evitar lidar com o orçamento. Em Portugal, onde os salários frequentemente não cobrem despesas básicas como habitação, alimentação e transporte, a situação agrava-se ainda mais.
De acordo com o estudo "O Bem-Estar Financeiro em Portugal: Uma Perspetiva Comportamental", realizado pela Doutor Finanças em parceria com a Laicos - Behavioural Change e instituições como a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e a NOVA IMS, metade da população sente-se ansiosa ao pensar nas suas finanças pessoais. Além disso, 22% dos inquiridos afirmam que essa preocupação prejudica o desempenho profissional, afetando o seu sucesso.
Mais da metade da população está insatisfeita com a sua vida financeira e 25% enfrenta dificuldades para pagar as contas. Estes dados refletem a pressão financeira que muitas famílias enfrentam em Portugal. O estudo também destacou a baixa literacia financeira como um agravante, já que muitos portugueses não têm o conhecimento necessário para gerir as suas finanças eficazmente.
Outro dado igualmente alarmante revela que 18% dos portugueses evitam sequer pensar sobre as suas finanças pessoais, possivelmente por medo de enfrentar a situação ou por não saberem como lidar com ela. Já 23% dos inquiridos sentem-se culpados quando refletem sobre o estado das suas finanças, evidenciando o forte impacto emocional deste tema.

Entre as causas da ansiedade financeira em Portugal estão as rendas elevadas, dívidas acumuladas e a incerteza económica. O aumento das taxas de juro nos últimos anos, principalmente a Euribor, teve um impacto negativo direto no custo da habitação, representando uma parte significativa do orçamento familiar e agravando a situação de muitos portugueses.
Esta ansiedade é particularmente evidente entre os jovens. Fatores como o aumento dos preços das rendas, a dificuldade de entrada no mercado de trabalho e os elevados custos da educação criam cenários de incerteza. Estudantes universitários precisam muitas vezes de equilibrar estudos e empregos parttime para cobrir despesas, o que pode levar a um esgotamento físico e mental. Além disso, a pressão sobre as famílias, especialmente aquelas de rendimentos mais baixos, torna a situação ainda mais difícil.
Apesar dos desafios, existem várias soluções para enfrentar a ansiedade financeira. A literacia financeira é essencial para uma melhor gestão das finanças pessoais. Um maior controlo financeiro e uma menor sensação de desorganização podem ser alcançados, por exemplo, através de cursos, workshops, aplicações financeiras e planeamento do orçamento mensal. Ademais, o apoio psicológico é fundamental para lidar com o impacto emocional das dificuldades financeiras. Programas como o Cheque-Psicólogo, oferecido pelo Governo para estudantes do ensino superior, são uma forma acessível de obter suporte.
A ansiedade financeira não é insuperável. Com educação, planeamento e apoio adequado é possível alcançar maior tranquilidade financeira e emocional. A sociedade deve continuar a promover a literacia financeira e o Governo deve implementar políticas públicas que ajudem os cidadãos a superar estes desafios e criar um futuro mais estável e menos ansioso.
Autor: Eduardo Beltrão - Business Developer nBanks
Créditos das imagens: Unsplash